quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Tudo é visto na hora de tratar...



Aqui está. Aqui está o único lugar onde a Ani São João pode acolher os seus animais, lugar esse alvo de espanto para aqueles que nos visitam pela primeira vez, que nos acompanham e ajudam virtualmente e à distancia. Amigos, nós vemos choque, vemos choque nos olhos dos nossos amigos que nos ajudam fielmente nesta ou naquela despesa, mas que nunca nos haviam visitado anteriormente.
O centro de recolha, possui apenas canil, deveria possuir apenas 8 cães, visto que apenas tem 8 boxes minúsculas. Mas não, o canil tem 20 cães, um gato e uma gata semi-silvestre. E a Ani são João? A Ani, tem mais de 50 animais, espalhados em famílias de acolhimento.


Porque separamos as coisas? Porque já nos disseram que a Associação (como outras mais) não se vê pelas condições que “possui” mas sim pelo tratamento que dá aos seus animais. E nós concordamos. O canil, não é um lugar ao qual possamos chamar de nosso, é um remendo, ora camarário, ora (ilegalmente) privado, ora emprestado, ora vazio. Mas há algo que podemos chamar ao canil: PODRE. O canil está podre, tem portas a cair, redes esburacadas, recantos rachados em iminência abate, já para não falar no recreio que está tão nojento como o cheiro que do chão dele se inala.




Amigos, precisamos de um terreno, coisa a que já temos vindo a apelar publicamente faz 4 meses. Fizemos o apelo não só aos privados, há muito que havíamos feito o apelo à Câmara Municipal de São João da Madeira, que nos negou, afirmando que não haveria terrenos disponíveis. Todos sabemos que isso não é totalmente verdade! Nós, voluntários, sabemos muito bem os terrenos baldios que existem onde grandes matilhas se abrigam e se reproduzem, onde este ou aquele animal atropelado se esconde e onde os “maus vícios” dos humanos se propagam. 


Diz-se por aí em alguns cartazes que é tempo de mudança, que é tempo de fazer algo por S.João da Madeira, nós concordamos! Ficamos gratos a todos os candidatos à Câmara que de livre vontade vieram visitar as únicas instalações que a Ani São João “possui”, ainda que fosse apenas para tirar uma fotozinha para o facebook, pois sabemos, não somos alheios à vida política, que a nossa causa caiu em esquecimento. Dos que não vieram, ou que foi necessária uma pressão por nossa parte, não esperávamos outra coisa, ainda que em nós residisse a esperança de que se compadecessem pelo nosso nobre trabalho. Trabalho esse que NÃO é pago! É feito unicamente por amor à camisola, e só nós e os nossos botões sabemos o peso que carregamos na alma, o esforço que fazemos para não olhar para aqueles pobres que se cruzam connosco na rua. “Não posso, não posso…” é o que mais se repete nas nossas cabeças, como se aliviasse o sentimento de desespero, mas lá voltamos para trás, um pouco de comida, um pouco de água e talvez terá mais forças para chegar até ao próximo anjo que o poderá acolher.

“Nem toda a boa vontade do mundo chega. Nem todo o querer do universo chega. Nem as mudanças lentas chegam. Quando tudo jaz, afinal, na ponta da caneta de um homem só.”


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